Imunidade: como isso funciona ? – Parte 1

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No último post prometi escrever um texto sobre o sistema imunológico e tudo o que nós mesmos podemos fazer para manter a imunidade alta, já que dificilmente conseguimos informações sobre isso nas consultas com infectologistas no SUS, por problemas vários. Mas não sou médica. E tenho noção da responsabilidade da coisa. Então vou repassar para vocês o ótimo texto do Brasil Escola sobre o tema, resumindo bem ao que nos interessa (para ler na íntegra clique aqui ), depois entro na parte onde posso falar com mais conhecimento e dar várias dicas, combinado? Vamos lá.

 

“O sistema imunológico humano […] consiste numa rede de células, tecidos e órgãos que atuam na defesa do organismo contra o ataque de invasores externos. Estes invasores podem ser microrganismos (bactérias, fungos, protozoários ou vírus) ou agentes nocivos, como substâncias tóxicas (ex. veneno de animais peçonhentos). As substâncias estranhas ao corpo são genericamente chamadas de antígenos. Os antígenos são combatidos por […] anticorpos, que reagem de forma específica com os antígenos.

Quando o sistema imune não consegue combater os invasores de forma eficaz, o corpo pode reagir com doenças, infecções ou alergias.

A defesa corporal é realizada por um grupo de células específicas que atuam no processo de detecção do agente invasor, no seu combate e total destruição. Todo este processo é denominado de resposta imune.”

E o texto segue com informações sobre:

– células do sistema imune:  linfócitos e macrófagos. Os linfócitos (três tipos) produzem anticorpos e comandam a defesa do organismo. Os macrófagos detectam elementos estranhos e os expulsam do organismo.

– órgãos (principais e secundários) que participam dos processos do sistema imunológico, seja produzindo o que o alimenta, protegendo o organismo ou combatendo os invasores:  medula óssea, timo, linfonodos, tonsilas, baço, adenoides e apêndice cecal.

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Acho que já deu, né? Entendemos o básico. Um sistema imunológico funcionando bem mantém o corpo forte e mais resistente a ameaças como as tais “doenças oportunistas” – aquelas que conseguem entrar no nosso corpo porque ele está debilitado, ou seja, com o a imunidade baixa, o sistema tendo problemas em dar conta da sua tarefa.

E aí entramos na parte que me sinto segura em falar sobre, porque nos últimos 10 anos (desde bem antes de me tornar soropositiva), por motivos profissionais e pessoais,  venho pesquisando constantemente sobre nutrição, medicinas alternativas e relações entre alimentação, estilo de vida e problemas de saúde. Mas mesmo assim vou espalhar links pelo texto, quem quiser mais informações é só clicar.

Depois do meu diagnóstico também comecei a pesquisar e conversar com médicos de várias especialidades – curiosamente, aprendi bem mais com  um médico de família (recomendo muito o acompanhamento com um deles em um PSF ou UBS; eles tratam a saúde como um todo e trabalham medicina preventiva), uma nutricionista e um neurologista que com os infectologistas com quem falei – sobre o tudo o que pode prejudicar ou ajudar o sistema imunológico, então já aprendi bastante sobre isso também. Vou repassar aqui tudo o que puder, porque sei que serve tanto para quem toma os antiretrovirais mas está com problemas de imunidade quanto para quem ainda não entrou com o tratamento… e também para quem não tem HIV, mas quer manter o corpo forte, as defesas ativas.

O que podemos fazer no dia a dia para ter um sistema imunológico funcionando lindamente, anticorpos de sobra, vitaminados, barreiras firmes contra invasores indesejáveis? Duas coisas bem simples. Ajudar… e principalmente não atrapalhar. Em outras palavras, dar ao corpo o que é bom para ele, evitar ao máximo o que é ruim.

Deveria ser simples, mas o fato é que a maioria das pessoas presta muito pouca atenção na saúde (pelo menos não antes dos 40 anos… rss) . “Ah, mas eu faço dieta, como salada!” Sim, pensando mais em quilos e aparência que em saúde… Ai não vale. O que realmente funciona é aprender a comer. A tal da reeducação alimentar. Entender o que faz bem e o que faz mal, saber como equilibrar a alimentação para que ela nos proporcione todos os nutrientes necessários para uma boa saúde.

Também é necessário adquirir uma maior consciência corporal. Aprender a estar atento aos sinais que o corpo nos manda. Dores, alergias, indigestão, problemas de sono, de humor etc. Quando eles surgem, a que se relacionam – emocional, alimentação, hábitos nocivos e por aí vai. Isso ajuda muito a administrar as coisas. Se você percebe, por exemplo, que um alimento te causa indigestão ou alergia, evite-o. Se você tem dor de cabeça frequente, tente entender quais as causas e agir para reduzi-las. Assim você ajudará o seu corpo… e facilitará o funcionamento do sistema imunológico.

Bom, a esta altura já deu para perceber que o tema “o que ajuda a manter a imunidade alta” é bem amplo, né? Do meu lado, percebi que não vai dar para passar todas as informações em um post só. Ficaria muito cansativo. Então vou falar aqui de fatores variados que podem afetar o sistema imunológico, e daqui uns dias solto outro texto só sobre alimentação (já adianto que vai ser bem grandinho), que é a base da nossa saúde.

Então… como não dar trabalho para o seu sistema imunológico, parte 1.

(E muita calma nessa hora, minha gente. Não é para ficar aí “Acabou minha vida, não posso mais beber!” ou “Só durmo 5 horas por noite, e agora!”. É só para ter mais consciência de tudo o que está envolvido na manutenção da nossa saúde e tentar chegar o mais perto possível do ideal. Mas sem desespero, sem paranoias, porque isso também faz mal para a saúde. Ooooommmm! :))

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Bom sono – Dormir bem é fundamental para manter a saúde. Cada organismo é único, mas de forma geral precisamos de 8-9 horas de bom sono para nos mantermos bem. Sei que nem sempre isso é possível, mas é muito importante tentar. É durante o sono que a imunidade se refaz.

Sol. Tome pelo menos meia hora de sol por dia, em especial nos braços e pernas. Precisamos disso para produzir vitamina D, que é fundamental para todo mundo, e mais ainda para quem vive com HIV ou outras doenças que dão trabalho para o sistema imunológico.

Atividades físicas – Outro fator fundamental. Não importa que atividade você prefira, pode ser caminhada, yoga, corrida, esportes coletivos, andar de bike, nadar, dançar, patinar, jogar capoeira, lutar karatê ou o que for. Qualquer atividade física constante, pelo menos 3 vezes por semana, uma hora. (No caso de caminhadas, melhor 5 vezes por semana.) Mas atenção: o excesso de exercício também pode ser prejudicial, se gerar estresse físico. A ideia não é virar triatleta, forçar limites; o objetivo do exercício é só  ativar o bom funcionamento corporal.

Drogas – É, sinto muito quem gosta mas todas as drogas prejudicam a imunidade, em maior ou menor grau. Começando pelo cigarro e pelo álcool, que enfraquecem os pulmões, entre outros problemas. Drogas sintéticas (LSD, extasy e outras “balas”) são péssimas, assim como a cocaína; detonam o corpo, pesam no fígado e nos rins. A rebordosa do dia seguinte é a prova prática disso. A única exceção neste item é para a maconha. Segundo minha ex-infectologista e dois outros médicos com quem conversei a respeito, em doses elevadas ela pode abaixar a imunidade sim, mas nos países onde já foi liberada tem sido usada medicinalmente em soropositivos para reduzir a ansiedade e dores, melhorar o sono e o apetite. Neste artigo aqui há links para estudos recentes que confirmam isso e também indicam que o canabidiol (derivado da cannabis sativa) pode ajudar a retardar a progressão do vírus HIV no organismo.

Prevenção contra outras DSTs – Então… essa parte todo mundo devia saber, mas tenho percebido que a informação sobre o assunto ainda é bem insuficiente. Por exemplo:

  • MULHERES, pelamordedeus, tem camisinha feminina à vontade em posto de saúde. Se o seu parceiro reclama da dele, use a sua. Ou revezem. Só não corra risco por causa de alguém que se insiste em sexo desprotegido com você muito provavelmente sempre faz (e fez) isso. Peça exames de todas as DSTs.
  • SEXO ORAL é risco sim. Pode transmitir hepatites A e B, herpes genital, HPV, sífilis, clamídia… Um amigo acabou de ter de se tratar de uma hepatite A que contraiu assim. Usou camisinha, tudo bonitinho, mas chupou sem proteção. E se ferrou, coitado. Mas ele não é soropositivo, então o corpo reagiu rápido ao tratamento, tudo ficou bem. Para nós a entrada de uma nova doença no corpo é um peso grande para um sistema imunológico que já está ocupado cuidando de não deixar o HIV dominar. (Não atrapalhar, lembra?)

 

Tomar cuidado com

  • EXPOSIÇÃO desnecessária a doenças infectocontagiosas. Não é para viver numa bolha asséptica, mas é bom passar a ter mais cuidado no contato próximo com pessoas gripadas, com tuberculose, pneumonia, sarampo e outras doenças de contágio pelas mãos ou pelas vias aéreas. Se não der para evitar, como num ônibus lotado, a orientação é a mesma de sempre: abrir janelas para renovar o ar e evitar colocar a mão suja nos olhos ou na boca. (Um álcool gel na bolsa é uma boa.)
  • AÇÚCAR. Ele também entra na categoria Drogas, pelo seu potencial nocivo para o nosso organismo, principalmente quando refinado e consumido em grande quantidade. Mas disso falo melhor no próximo texto.

 

E por último, mas talvez o mais importante:

Cuidar do emocional – Pois é. Mente sã é corpo são, já dizia a minha vó. E meu amigo neurologista concorda. Manter o equilíbrio emocional é básico para manter a saúde. Ele indica meditação como uma boa forma de conseguir esse equilíbrio a médio e longo prazos. E, é claro, remédios, se for preciso. Antes eles que uma depressão minando as nossas forças. Eu acrescento que terapia também é importante demais, ajuda demais. E hoje é fácil encontrar atendimento de graça (em postos de saúde, ONGs etc) ou a preços simbólicos negociados com os profissionais. Tá aí um investimento que faço sem dor, apesar de estar desempregada. Sei que é preciso.

 

E pronto, ficamos por aqui hoje, que já foi informação à beça para assimilar. Minha gratidão de hoje vai para vocês que vão ler isso tudo. 🙂

Semana que vem tem mais. Todos os alimentos que turbinam a imunidade e os que devemos evitar porque a prejudicam de uma forma ou de outra. Até lá!

Beijos,

Violeta

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O “fundamentalismo” médico no tratamento do HIV

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Semana passada finalmente tive a minha primeira consulta com infectologista em São Paulo. Como de costume, já comecei a ficar nervosa uma semana antes. Sei o que sempre me espera em consultas médicas onde o HIV será mencionado. A eterna pressão pela entrada com os antiretrovirais, independente do que eu fale sobre a minha tão pensada decisão de ainda não começar a tomá-los…. ou do ótimo estado de saúde que eu prove com exames clínicos.

Não foi diferente dessa vez. A médica não me permitia sequer explicar a minha escolha. Adotou aquela postura ofendida e superior que médicos volta e meia tomam quando discordamos de sua orientação, como se fôssemos o mais reles dos funcionários discordando de seu chefe. Deixei que ela recitasse toda a cartilha que já ouvi tantas vezes, depois perguntei se podia explicar o porquê da minha decisão. Expliquei. Escutei que então não havia como me ajudar, só fazer o acompanhamento. Perguntei se ela não teria ao menos orientações a me dar, por exemplo como manter um bom funcionamento do sistema imunológico. A resposta foi que “o sistema imunológico é incrivelmente complexo”, seguida de evasivas. Nenhuma indicação concreta além das mesmas de sempre, para qualquer pessoa que queira manter a saúde (com ou sem HIV). Atividade física constante, não fumar. E parou por aí.

Pedi uma receita de polivitaminico. Ela deu, para pegar na farmácia do posto. E lá o farmacêutico me explicou que há muito tempo o governo suspendeu o envio desse remédio… Mas a médica não tinha tomado conhecimento.

Querem saber?… cansei. Cansei de esperar de médicos algo que eles parecem não ter a oferecer. Dizem respeitar a decisão do paciente, mas se ela não for dentro da cartilha que eles seguem, o largam à própria sorte. Tudo o que sabem é receitar antiretrovirais –  e depois lidar com os seus efeitos colaterais. Eu achava que era má vontade, mas já estou chegando à conclusão de que é despreparo mesmo. Eles realmente não sabem como ajudar um paciente que não siga o novo protocolo.

Mas eu sei, porque tive de aprender sozinha. E graças a Deus e a 10 anos trabalhando com pesquisas, sei onde e como buscar informações confiáveis, em três línguas.

Então vou fazer o trabalho que a maioria dos médicos não faz. Pesquisar e ajudar. Não apenas quem como eu é progressor lento (cerca de 5% da população) e não quis entrar com os remédios de imediato, como também quem os toma mas não consegue aumentar – e manter altos – os anticorpos, fortalecer o sistema imunológico para não ser vítima de doenças debilitantes.

E adianto que tem como sim, gente. E muito. A dieta já pode fazer uma diferença muito grande, bastando incluir alguns alimentos e especiarias e retirar o que de certa forma intoxica o organismo. E além disso há várias recomendações simples para a vida. Vou pesquisar tudo o que puder e começar uma série de posts sobre isso.

Vamos nos cuidar. Vamos ficar bem, pelos nossos próprios esforços.

Beijos,

Violeta

 

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Sou uma boba

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É, caros leitores, é isso mesmo que vocês leram. Sou uma boba…

Ontem reencontrei um ex-namorado de 20 anos atrás. Ele era um mocinho quando namoramos, mais novo que eu. De repente vejo um homem feito, e dos bons, dos “de verdade”, sabe? Conversamos bastante, e ele me deu colo, ombro, atenção… e muito carinho.

Estou aqui toda mexida. Não sei se aconteceria alguma coisa com ele ou não, a situação hoje é outra. Mas independente disso, agora meus planos de “nunca mais vou ficar com ninguém” parecem loucura. Eu existo, estou saudável, por que tenho me punido desse jeito? Costumava gostar muito de sexo, quando era com alguém bacana, quando tinha olho no olho, carinho e intensidade. Sei que se tomar todos os cuidados não há risco, para mim ou para um parceiro. Então por que não?

Acho que o que eu mais precisava neste momento era ter contato com pessoas na mesma situação que eu. Ouvir suas histórias, saber como superaram o trauma, como fazem para compensar as limitações no sexo, o que aprenderam… Sei como isso é importante, como ajuda a enxergar as coisas com mais clareza e menos fantasmas. Vou procurar um grupo de apoio, há alguns maravilhosos.

Pelo momento… gratidão, A., por ser quem você é. Segunda vez que o seu carinho me ensina coisas importantes demais.

Muito obrigada.

 

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Cansei

É. Cansei. Retiro o “positivamente”. Não tem nada positivo na minha cabeça neste momento, além desse vírus maldito.

Cansei da solidão de não mais me permitir expectativas amorosas ou mesmo sexo casual. Ficou todo complicado demais, tudo cheio de “não pode” demais. E a sombra de “você pode ser responsável pelo contágio de alguém” – mesmo racionalmente e pelos resultados do estudo HPTN 052 sabendo que isso não aconteceria, usando camisinha – acabaram com qualquer libido que eu ainda tivesse.

Cansei de não encontrar apoio e orientação profissional para a minha escolha de não entrar com os antiretrovirais, mesmo sendo parte de um grupo de pessoas que pode “se dar esse luxo”. Minha última tentativa foi procurar um médico que faz pesquisas com progressores lentos como eu, então poderia ter informações para me passar. Liguei no consultório, expliquei, peguei o email para mandar mensagem, a secretária se comprometeu a mostrar para ele… Não respondeu. Nem um um “Sinto muito não posso ajudar”.

Na verdade o que cansei mesmo foi de tudo o mais na vida, o HIV é só a cereja podre do bolo. A real é desemprego, falta de grana, de expectativas, depressão completando um ano de aniversário sem tréguas… E essa situação de merda que estamos vivendo no país, sem esperanças de melhora. Não consigo mais ter fé. Não consigo mais acreditar em Deus nenhum. Porque se ele existir, foi muito injusto comigo, a minha vida inteira. O HIV foi só a facada final. Uma única camisinha estourada…. É sacanagem demais pra minha cabeça.

Cansei.

Exames e angústias

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Como já contei para vocês,  me mudei para São Paulo e tive muita dificuldade em conseguir atendimento para acompanhamento do HIV. O Emílio Ribas, que seria o local mais perto da minha casa, não aceita novos pacientes há mais de um ano. Fui em outro centro de referência, era horrível e com atendimento muito reduzido. Acabei achando atendimento na unidade da Lapa, e correu tudo bem, tirando as demoras de sempre no SUS.

Dia 17 do mês passado finalmente fiz a coleta de sangue para os exames de carga viral e CD4, depois de quase um ano sem. Achei que a minha primeira consulta com a infectologista seria mais de um mês depois, como acontecia na cidade onde eu morava antes. Hoje fui confirmar e descobri que já foi… Aqui os exames saem em 15 dias, não um mês. Resultado, perdi a consulta, reagendaram só para o final de setembro.

E aí veio o pior… Pedi para saber o resultado do exame de carga viral, para não ficar esse tempo todo ansiosa esperando. E deu 3800. Minha carga viral lá na praia nunca tinha chegado a 1000, nas 3 vezes que fiz.

Tudo bem, eu já sabia que viria pior, porque eu estava em um longo período de depressão. De muitos meses. Desempregada há mais de um ano, sem grana, tendo de voltar a pedir dinheiro para pais depois do 40, sem perspectivas, o país nesse caos… não segurei a onda, entrei em depressão. E ela sempre abaixa a imunidade. E também havia tomado antibióticos até 10 dias antes por conta de uma suposta inflamaçãozinha urinária que nem manifestou sintomas… Sei que eles prejudicam as defesas naturais do organismo. E o meu pai andou com problemas de saúde que me fizeram ter de cuidar dele, e acabar descuidando de mim mesma, alimentação e estado de espírito. Mas não esperava uma subida tão grande.

E fico aqui sem parâmetros, sabe? Sempre tento lembrar dos 100 mil que eram a referência para início de tratamento até 3 anos atrás. Pensando por aí, 3.800 é muito mais perto de 1000 que de 100.000. Então eu não deveria me preocupar muito… ou será que devia? O que poderia fazer para melhorar isso, sem ter de entrar nos remédios?

É uma luta complicada essa que escolhi. Ser progressora lenta e optar por não tomar os antiretrovirais deveria ser isso, uma opção. Respeitada pelos médicos e com um protocolo a seguir nesses casos. Queria ir no médico e ouvir algo como “Ok, aumentou, então precisamos cuidar melhor da sua alimentação, faça mais exercícios, tome isso para aumentar a imunidade, evite aquilo porque a abaixa…” Mas não. Sei que tudo que vou ouvir é “Tem de entrar logo com os remédios”. Chega a ser cruel.

Se alguém souber de um médico que consiga escapar desse pensamento único, por favor, me fale. Precisava de orientação.

Me desculpem, o post de hoje vai sem gratidões. Ainda estou abalada com a notícia, lagriminhas escorrendo aqui, o coitadinhademim ameaçando baixar. Difícil pensar em gratidão neste momento. Mas vou me recuperar.

Beijo,

Violeta

UPDATE – Consegui conversar com um amigo que é médico de família. Ele me disse que a subida não chega a ser alarmante, porque 3.800 ainda é um número baixo. Mas para acompanhar bem, me cuidar… e que sim, seria uma boa voltar para perto do mar.

 

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E mais um ano….

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Pois é, já tem mais de um ano que escrevi aqui pela última vez. Passou rápido demais..

Como estou? Bem. Ainda sem remédios, ainda tudo sob controle. O diagnóstico de progressora lenta parece ter se confirmado, e com isso tenho a opção de não tomar remédios por enquanto, fazendo o acompanhamento constante da carga viral – a minha nunca passou de 900, o que é bem baixo – e dos anticorpos.

A minha dificuldade atual está em conseguir esse acompanhamento. Três meses atrás me mudei da praia para São Paulo, capital. Achava que as coisas aqui iam ser tranquilas, que eu teria um melhor atendimento médico… Grande engano. A Saúde está em crise, e no estado de São Paulo a coisa está péssima. Fui no Oswaldo Cruz, que teria o centro de referência mais perto da minha casa. Não atendem novos pacientes soropositivos há um ano. Escrevi para a ouvidoria, não adiantou. Fui encaminhada para o centro da rua Cleveland. Fora de mão, longe, mas tudo bem. Até chegar lá e descobrir que era do lado da cracolândia. Passei dias para me recuperar do que vi lá. Um estado de abandono equivalente ao de um campo de refugiados. Pessoas tratadas como lixo humano. Triste, muito triste. Não tenho condições psicológicas de ir a esse lugar constantemente. E mesmo lá a coisa está feia. São 20 senhas por dia, às 7 e às 12 horas. Perdeu, já era.

Tentei então o centro de referência da Santa Cruz, enorme. Conversei longamente com a assistente social, e fiquei sabendo dos problemas enfrentados lá. Médicos que se aposentam e não são substituídos. Estado que não manda remédios. E o saldo final: também não estão aceitando novos pacientes, há tempos.

Minha próxima tentativa, e o que eu mais gostaria que rolasse, vai ser procurar um PSF e pedir para que o meu acompanhamento – global, não apenas do HIV – seja feito por um médico de família. Dedos cruzados. Um amigo me disse que no Rio isso tem acontecido. E a ideia de ser atendida por um médico que vai trabalhar em melhorar a minha saúde e prevenir possíveis problemas é muito melhor que a de um infectologista só focado no HIV e tendendo a relacionar tudo a ele. Já sei que as coisas não são assim.

Passados mais de 2 anos do diagnóstico, provavelmente 5 do contágio, a certeza que tenho é que ser soropositiva não me define. É apenas uma partezinha de mim. A vida segue normal, com seus problemas e dificuldades, que já existiam antes, que existem sempre. Às vezes me gera tristezas novas, como quando – depois da experiência traumática na cracolândia – resolvi participar de um grupo de ajuda a moradores de rua e descobri que não seria indicado abraçar um deles, porque são muito expostos a doenças como tuberculose, que eu poderia pegar e me enfraquecer. É duro saber que seu direito à expressão de afeto, e um afeto tão necessário como um abraço em quem nunca os recebe, foi reduzido. Mas bola pra frente. Preparar uma comida para eles também é uma forma de afeto, que eu vou oferecer feliz. A gratidão de hoje, então, vai para essa possibilidade que o mundo está me dando de poder ajudar quem está em situação pior, muito pior que a minha, que a nossa.

Beijos,

Violeta

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Mais de um ano depois…

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Outro dia percebi que já passou mais de um ano desde que recebi meu diagnóstico de soropositiva. Vim aqui olhar nos arquivos, vi que comecei este blog dia 29 de janeiro, uns quatro ou cinco dias depois do diagnóstico. Dia 24 de janeiro, acho, foi o meu dia de ir receber notícia-bomba na cabeça. E esqueci, nem comemorei o aniversário. Por que será?

Um ano depois, estou em um período um pouco menos positivo. Não pelo vírus em si. Tudo muito sob controle com a minha saúde e taxas, amém – e cuidando bem da alimentação, fazendo caminhadas, buscando tratamentos alternativos. O que está acontecendo é que andei meio desanimada da vida. Coisa que já tinha costume de fazer de tempos em tempos antes do diagnóstico. (Sou aquele tipo de pessoa que tem por hábito ser forte, aí quando cai, é de cara no chão. Mas sempre acabo achando jeito de levantar.)

Acho que é importante a gente sempre se cutucar para guardar a consciência disso. Das dificuldades e desânimos e revoltas todas que já existiam na vida antes de descobrirmos o vírus em nosso corpo. Lembrar que nem tudo é culpa dele. Porque mesmo quando tudo já está bem, a tendência é voltar a focar nele quando surgem outros problemas difíceis de lidar. Um momento de se sentir fraco, ser humano… e afundar na pena de si mesmo. Sempre buscamos um motivo para isso. Ser soropositivo soa um motivão, né? Mas quando o equilíbrio volta a gente lembra que não, viver com HIV hoje não é nem de longe tão terrível como soou no começo.

Na prática, pouca coisa mudou na minha vida neste um ano. Melhorei minha alimentação e estou adorando isso. Descobri alimentos gostosos e saudáveis, me sinto mais leve. Os mil exames do começo agora são uma chaticezinha bem menos constante. Mas sim, pode rolar uma tensão na época de fazer ou da consulta pra ver os resultados. Acho que com o tempo vou aprender a relaxar com isso.

Como já contei em outro post, eu optei por não entrar com os remédios por enquanto. Ao que tudo indica sou o que chamam de “progressão lenta”, o que significa que meu corpo consegue controlar sozinho o vírus por muito tempo. (Mas a orientação atual é de indicar tratamento com antiretrovirais de imediato mesmo para casos como o meu… e discordo dela.) Enfim, depois de muitas conversas com médicos de várias linhas, de resultados de exames gerais, de pensar um bocado, tomei essa decisão. Minha infectologista segue a orientação atual, mas sabe que não sou nenhum caso emergencial… muito pelo contrário, uma carga viral em torno de 650 está muito mais perto de 40, o “indetectável” que de 100.000, o parâmetro anterior para indicar tratamento. Anticorpos ok também. Estou fazendo terapia e tratamento com um homeopata indicado pela minha médica, além de terapias alternativas como johrei, meditação e reiki. Da alimentação já falei, mas faltou dizer que fui pesquisar tudo que ajudava a aumentar a imunidade – como batata doce, gengibre, alho, cebola, frutas cítricas e vermelhas, verduras verde-escuro, curcuma – e coloquei bastante na minha dieta. Então acho que sim, posso segurar a onda do vírus por muitos anos.

Por outro lado, estou em uma baita crise profissional, deixando o que fazia até agora de lado e buscando um novo rumo, o que me causa muita ansiedade. Também estou decepcionada com a cidade onde estou morando, mas sem saber onde seria melhor viver. Desempregada, entrando na reserva financeira, mas sem querer mais ser parte de uma engrenagem comercial. Já defini que quero trabalhar ajudando pessoas, de várias formas, ser útil para o mundo. Trabalhos solidários, educação ambiental, cura espiritual… algo por aí, ou tudo junto. Só não consigo pensar em como fazer isso de forma a conseguir pagar as contas no fim do mês. O que é angustiante, e me gerou uma depressão da qual estou lutando para sair.

Então o resumo deste post-aniversário é: se alguém me perguntar como eu me sinto hoje, um ano depois do diagnóstico, vou ter de dizer:

Olha, tá difícil. Mas não, o motivo central da dificuldade não é ser soropositiva. O HIV que um dia me assustou tanto hoje é só um pontinho no meio do turbilhão. É a vida como um todo que tá difícil, e não só para mim. Tá todo mundo assim, são os tempos que correm. Crise econômica apertando, ansiedade geral, meio ambiente destruído cobrando a conta, mundo inteiro em problemas políticos e guerras, conflitos de todo tipo. É uma época pesada. Mas a gente tem de arrumar um jeito de lidar com ela…

Sorte para todos nós. E gratidão enorme a todos os amigos e parentes que me ajudaram neste ano. Solidariedade é uma lindeza infinita.

Beijo,

Violeta

 

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Parece que ganhei na loteria…

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Gente, a notícia de hoje é a melhor do mundo.

Calma, não negativei milagrosamente. (Ainda não, isso é só mais ali pra frente. 😉 )

No último post eu tinha comentado sobre um grupo de pessoas, cerca de 5% da população, que se contraírem o HIV não precisam entrar com os antirretrovirais por muito tempo – há casos de soropositivos assim, detectados há 10, 15 anos, ainda sem remédios e com carga viral indetectável. Por algum fator genético o corpo dessas pessoas consegue combater o vírus sozinho, mantendo-o sob controle de forma a não desenvolver a doença da Aids. E podem também alcançar o estado indetectável – essa lindeza, quando o risco de contágio desce a quase zero – mesmo sem o tratamento.

Mas então…  Nesta quinta voltei na infectologista para uma consulta, e depois de muita avaliação de exames, datas, progressões e sei lá mais o quê, ela me disse que acredita que eu faço parte desse grupo.

Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!

Na prática, isso significa que provavelmente vou conseguir ficar sem remédios até aparecer a cura para o HIV – sim, eu acredito que estamos bem perto disso, coisa de alguns anos -, e também que só vou precisar fazer os exames de acompanhamento a cada 6 meses (o normal é 3), se estiver tudo certinho. E tudo está bem, amém, minha carga viral já muito próxima do indetectável, logo chego lá. (Ou talvez já tenha chegado, vamos aguardar os resultados dos últimos exames.)

De resto, mesma coisa… mesmos cuidados com alimentação e prevenção de outras doenças e precauções de sempre quando for transar.

Eu só sei que felicidade é pouco. Gratidão, gratidão enorme! Muito obrigada, meus genes, seus lindos!! O azar que eu dei no contágio, com uma chance perto de zero, vocês compensaram agora. Beijos em todos, um por um.

Parêntesis rápido – Aqui entre nós, minha libido até ressuscitou das cinzas… Mas isso vai ser assunto de outro post. Adaptações e descobertas. Estou começando a achar que essa história pode se tornar divertida.

Muito obrigada a cada pessoa que se alegrou por mim ao ler esse texto. Que essa alegria solidária ilumine o seu dia.

Beijos!

Violeta

 

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Sobre HIV, indústria farmacêutica e o poder auto-curativo do corpo

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Outro dia minha mãe me mandou uma matéria sobre uma senhora soropositiva de 88 anos, diagnosticada aos 67. (http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/07/1653453-nao-se-dizia-que-uma-mulher-de-idade-podia-ter-aids-diz-pianista-de-88-anos.shtml ) A discussão era sobre a AIDS em pessoas da terceira idade, e como esse grupo vem crescendo – só perde para o de muito jovens, entre 15 e 19 anos.  Mas o que mais chamou a minha atenção foi uma informação que vinha quase escondida no finzinho do artigo: 5% dos soropositivos consegue controlar o vírus sem uso de remédios. Seu próprio corpo se encarrega de manter a coisa sob controle.

Corri na minha médica, confirmei a informação com a super enfermeira que trabalha com ela e dá palestras sobre HIV-AIDS. Verdade.

Aí fiquei pensando… Será que o número está correto? Ok, não sou médica, mas possuo um conhecimento razoável sobre o assunto, assim como sobre nutrição. E tenho total convicção de que esse número poderia ser muito maior se o procedimento geral não fosse o de colocar as pessoas em tratamento com os anti-retrovirais assim que recebem o diagnóstico, independente de suas condições físicas.

Nosso corpo pode ser muito poderoso na auto-defesa contra vírus e bactérias. Ou não. Depende da nossa saúde, de características genéticas, idade, estilo de vida, de como nos cuidamos, exercitamos, do nosso emocional e principalmente da nossa alimentação. Hoje em dia a maioria das pessoas come muito mal. Exagera em alimentos industrializados, doces, frituras e tudo o mais que só nos intoxica e enfraquece as defesas, e come poucas frutas, verduras, legumes, ervas, especiarias e tudo que a natureza nos oferece para nos mantermos sadios. Nesse ritmo, melhor tomar os remédios, ou mais cedo ou mais tarde a doença vai aparecer.

Mas… e se quem recebe o diagnóstico é uma pessoa com bons hábitos alimentares, não sedentária, atenta à sua saúde física e emocional? E se sua carga viral é baixa, a taxa de anticorpos é alta e sua saúde de forma geral é boa? E se ela só tem o vírus, mas não chegou a desenvolver a Aids? Será que precisa realmente entrar com a medicação de imediato? Será que não pode aguardar, monitorando constantemente a carga viral e os anticorpos?

Essa foi a minha escolha. Nada de remédios por enquanto. Sou ovolactovegetariana há mais de 15 anos. Verduras, legumes, frutas, ervas fazem parte da minha dieta diária. Alimentos integrais, pouca gordura, doces com moderação, muita variedade na mesa, todas as cores do mundo no prato. Ganhei uma nota 10 da nutricionista. rsss E caminho muito, cuido do corpo e da mente, assim como do lado espiritual, recebendo e ministrando johrei, uma forma de cura espiritual. Não vejo motivo para encher meu corpo de química se meus exames mostram que o corpo está mantendo o vírus sob controle há 2 anos e estou super saudável de forma geral. Nem gripe pego.

Aí surge em minha cabeça uma outra questão. Claro que todos agradecemos infinitamente as pesquisas e o surgimento de remédios para o controle da AIDS, pois milhões de pessoas podem levar vida normal graças a eles. Porém… é sempre bom lembrar que a indústria farmacêutica é uma potência global, e um tanto mafiosa. Ela lucra com as doenças, portanto quer mais é que todos adoeçam e se encham de remédios… que resolvem um problema causando outros. E lá vêm mais e mais remédios.

Com o HIV não é diferente. A indústria farmacêutica vai querer sempre – e financiar pesquisas nesse sentido – que todos tomem medicamentos assim que receberem o diagnóstico, pois isso lhes dá cada vez mais lucro. São milhões de soropositivos no mundo. Mercado amplo, tratamento para o resto da vida. Para eles, representamos um lucro enorme. Cifrões e mais cifrões, garantidos por compras governamentais e privadas.

É claro que não vou aconselhar ninguém a interromper o tratamento, de forma alguma. Se já começou, até onde sei não se deve parar. Mas para os que acabaram de receber o diagnóstico, sugiro uma boa conversa com o médico para saber se os remédios são realmente necessários no seu caso, nesse momento. O que só se pode saber depois de uma longa bateria de exames de sangue. Se tudo estiver bem… que tal adotar uma vida saudável, uma alimentação saudável, formas de se auto-equilibrar, como exercícios, yoga, meditação, acupuntura, terapia, religião etc, e tentar assim adiar os remédios, ou quem sabe não ter de chegar nunca a eles?

Para concluir, uma listinha de alimentos, ervas e especiarias que todos nós deveríamos ter de sobra na nossa dieta, pois estimulam o sistema imunológico, combatem radicais livres, limpam e tonificam o corpo, mantendo-o forte: batata-doce, inhame, repolho roxo, verduras verde-escuro, legumes de cor laranja ou amarela, leguminosas (feijão, lentilhas, ervilhas, grão de bico), cogumelos frescos, frutas cítricas, amêndoas, nozes, castanhas, alho, azeite, gengibre, curcuma/açafrão-da-terra, pimenta vermelha, alecrim, equinácea, mel. De preferência tudo orgânico – faça a sua horta em casa, é possível até em caixotes!. Ah… e água, muita água. 🙂

E a minha Gratidão de hoje vai para a Natureza, que nos fornece tudo o que precisamos para ser saudáveis. Nós é que muitas vezes ignoramos esse presente de Deus para a nossa saúde…

remedios

Beijos,
Violeta

A nova “Primeira vez”

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Faz um bom tempo que não escrevo, mas agora tenho uma boa novidade que não podia deixar de compartilhar com vocês. 🙂

Acho que um dos maiores medos da maioria das pessoas que recebem o diagnóstico de HIV positivo é o de nunca mais encontrar alguém que queira entrar em uma relação amorosa conosco. Nunca mais ter um companheiro/a. Como buscar amor, ou mesmo apenas sexo – cada um com suas prioridades…rss – com esse peso nas costas, com o enorme medo da rejeição na hora de contar a verdade?

Eu passei por isso, é claro.Muito medo, como se nunca mais fosse ter direito a amar e ser amada. Por mais que me dissessem que não, me contassem de mil casos de pessoas que namoravam, que se casaram ou que viviam como antes, com sexo quando quisessem, contando ou não sobre a sua condição… o medo estava ali comigo. O fantasma.

Tenho um senso de responsabilidade um tanto extremado, e sofro do que chamo de “sinceridade compulsiva”. Sempre fui adepta do jogo aberto, cartas na mesa, verdade acima de tudo. E por isso me soava muito mal o protocolo que decreta: Não conte nada enquanto a coisa não for séria; tome as precauções necessárias – usar camisinha e evitar sexo oral antes de o parceiro fazer testes de DSTs – e pronto. (E a minha médica acrescentava: se ficar sério, traga o moço aqui e explico tudo direitinho para ele.)

Com isso tudo na cabeça, fiquei uns 5 meses, desde quando estava aguardando o resultado dos exames, sem nem conseguir pensar muito em sexo, sem estar com ninguém. E isso durou até alguns dias atrás… quando tudo aconteceu da melhor forma possível. Com um ex-namorado para quem eu havia contado tudo. E acreditado que ele nunca mais ia querer nada comigo. Na minha cabeça cresceu até outro fantasma: mesmo que quisesse, não conseguiria, falharia, porque o desejo seria atrapalhado pelo medo.

Eu estava enganada. Era só o meu preconceito interno falando. Fantasmas. Que graças a esse moço lindo, com quem hoje tenho uma relação de amizade e enorme carinho, se foram. Ele não só continuou me querendo como decretou: “Qualquer um que tenha um mínimo de inteligência não vai se afastar de você por causa disso”. Amém.

Minha Gratidão de hoje vai para ele. Muito obrigada, C., por ter me ajudado a me livrar de medos tão pesados. Muito obrigada por todo o carinho, pela paciência com o meu nervosismo… e por me lembrar que continuo tendo todo o direito do mundo à minha sexualidade e ao afeto, a querer e poder ter um relacionamento.

cama violeta

Beijos,
Violeta